Sobre as candidaturas presidenciais ou, Naftalina, III

Apesar de tudo, não posso deixar de observar como acabaram por ser rejeitadas todas as candidaturas presidenciais que não foram assumidas pelos partidos instalados, ou por dissidências dos mesmos. A burocratite centralista, herdada do absolutismo, com a tradicional cunha para a obtenção de uma certidão a tempo, transforma a democracia vigente num clube fechado, com reserva no direito de admissão. Só o Garcia Pereira é que, com a habitual ronha da experiência juridicista é que conseguiu borrar a pintura, demonstrando como ainda há maoístas que se infiltram entre trotskistas, estalinistas, ex-estalinistas e revisionistas marxistas, bernsteinianos.

por JAM, no Sobre o tempo que passa.

Ler também, Burocracia eleitoral, no Blasfémias.

Hic, hic, Christmas

Mais um Natal que passa, mais uma época de puros prazeres mundanos numa quadra para estômagos e fígados resistentes. Em matéria de vinho tem sido muito agradável. Ora vejamos, destaco os melhores vinhos que bebi nos últimos dias:

Frei João Reserva 1990 (Bairrada)

Adega da Cartuxa Reserva 2002 (Alentejo)

Borba Reserva 2001 (Alentejo)

Quinta do Cabriz Reserva 1999 (Dão)

Tudo tinto, claro. Uns oferecidos, outros por compra própria. Vive le Père Noël!

Naftalina, II

Quotas:

Que país é este em que as rádios não podem programar o que querem emitir e os cidadãos são obrigados a ouvir a música portuguesa em todas as rádios, num momento de absoluto êxtase nacional? Pode pensar-se que estamos a falar do Portugal da outra senhora, embalado pelo nacional cançonetismo e alinhado bipolarmente entre Madalena Iglésias e Simone de Oliveira ou António Calvário e Artur Garcia. Mas não. Falamos do Portugal de hoje, de 2005.

Naftalina

O caso de Mário Soares não espanta tanto. Mário Soares possui a cabeça de um governador civil do Sr. Dr. Afonso Costa e não custa imaginá-lo, em 1912, declarando na farmácia da Lourinhã as suas convicções de republicano, laico e socialista. Depois de Jaurès não aprendeu nada, nem esqueceu nada. Há quase um século que não lhe entra uma ideia na cabeça, como coisa distinta das trivialidades piedosas para uso oratório, que ele adapta à variável inclinação dos tempos.

Soares está velho de mais para mudar e, de resto, até quando era novo, nunca se distinguiu pela subtileza.

Vasco Pulido Valente, Esta Ditosa Pátria, Lisboa, Relógio d’Água, 1997, p. 164.

Via Esplanar.

Wikipedia: o “Anarquismo” até nem se saiu mal

À atenção do Abrupto, Blasfémias e Paulo Querido:

As the veracity of Wikipedia is questioned and lawsuits threatened, Nature’s Timo Hannay dropped a note to the Radar crew about a test the folks at Nature magazine conducted to see which encyclopedia had more errors. The experiment “sent 50 pairs of Wikipedia and Britannica articles on scientific topics to recognised experts and, without telling them which article came from which source, asked them to count the numbers of errors (mistakes, misleading statements or omissions). Among the 42 replies, Britannica content had an average of just under 3 errors per article whilst Wikipedia had an average of just under 4 errors — not as much difference, perhaps, as most people would expect.” Also see the subject-by-subject breakdown, accompanying editorial, and Timo’s blog which has links to Nature’s interview with Jimmy Wales about it.

Via O’Reilly Radar.

Pain is good

Depois de quase 2 anos parado, retornei ao ginásio. My God, a sensação é de ter sido cilindrado por um Tanque da 2ª Guerra Mundial. Não tenho quase músculo nenhum que não esteja dorido. Sábado que vem há mais do mesmo. Daqui a uns dias vai compensar. Pain is good. É bom estar em forma, outra vez.

Máquina do Tempo

Agarro no telecomando e faço o zapping da noite. Na SIC Notícias, 3 senhores (conhecidos habitués do meio) discutem futebol. Cada um deles representa um dos três grandes do país. Discutem, falam, gesticulam, mandam umas graçolas, comentam os jogos, os jogadores, as sanções, os árbitros, as transferências, os treinadores, tudo e mais alguma coisa. Continuo o zapping, paro no RTP Memória e qual o meu espanto quando vejo exactamente as 3 personagens a dialogar num programa igual, mas 10 anos atrás, o Jogo Falado de 1995. Exceptuando as barbas, bigodes e cortes de cabelo é tudo rigorosamente igual! As picardias, as polémicas, os árbitros, os jogadores, a Liga, os dirigentes, as entrevistas, os jogos, venda de terrenos. Apenas as personagens é que se foram alterando. Estas três é que continuam na mesma. Alguém ligado à programação da RTP Memória tem um elevado sentido de humor e oportunidade. Serviço público, sem dúvida.