Secret Lives of Great Artists

Tenho o hábito de comprar livros quando estou em passagem por aeroportos, sobretudo quando sei que vou passar longas horas a voar e é quase certo que dormir a 10.000 metros de altitude é coisa que raramente faço. Junho de 2010, estava no aeroporto de S. Francisco prontinho para regressar a Cork via Londres após uma semana de trabalho. Depois de ter comido uma pizza ao lado de uma família que se entretia com Fast Sushi enquanto aguardava o regresso a Hong Kong, comecei a pensar nas lindas e longas 10 horas de voo, dos filmes todos que poderia ver no voo mas que já tinha visto, das conversas de ocasião com o vizinho do assento do lado e comecei a assustar-me. Deixa-me mas é comprar um livro para me entreter que isto não vai ser fácil. Reparei na loja do SFMOMA (S. Francisco Museum of Modern Art), que recomendo vivamente. Tem T-shirts fantásticas, artigos de escritório originais, bijuteria, tralha vária, cadeiras, acessórios, coisas para putos, postais e claro, livros. Da pilha que vi, decidi-me pelo Secret Lives of Great Artists, Elizabeth Lunday.

Sempre tive curiosidade em saber se o grau de pancada dos artistas é algo que já vem de trás no código genético ou uma idéia de marketing para enganar gajos como eu que gastam 16.95 dólares em livros destes. Pois bem, é verdade, a pancada é verídica e neste livro é contada com pormenores sórdidos e momentos rocambolescos. A vida de artista não é fácil. Aqui fica uma selecção em estilo almanaque (traduzido daqui e pronta a mastigar):

– Michelangelo cheirava tão mal que os seus assistantes recusavam-se a trabalhar para ele.
– Pablo Picasso cumpriu pena de prisão por ter roubado diversas estátuas do Museu do Louvre.
– O animal de estimação favorito de Gabriel Dante Rossetti era um Wombat que dormia na mesa de jantar.
– Vicent van Gogh por vezes comia as próprias tintas que usava para pintar.
– Georgia O’Keeffe gostava de pintar nua
– Salvador Dali concebeu um perfume à base de esterco para atrair a atenção da sua futura mulher.

Isto é tudo verdade (a sério, vejam a bibliografia) e no meio de tanta loucura há verdadeiras histórias de arte que são muito interessantes. De Jan Van Eyck a Andy Warhol, há toneladas de páginas para devorar. Recomendo vivamente. E ainda deu para dormir uma horita ou duas antes de aterrar.

The ascent of money

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De vez em quando sabe bem esquecer a Amazon, entrar numa loja de livros, folhear o que se vê e decidir levar para casa um livro que desperte a curiosidade. Ontem fui à Eason no shopping de Ballincollig e acabei por comprar o “The Ascent of Money” do Niall Ferguson. Este livro retrata a história do dinheiro pela perspectiva de um historiador e explica as origens da Bolsa, acções, bancos, as hipotecas, companhias de seguros e tudo o que se passou até ao mundo actual de finança global. O livro foi concluido antes do grande crash de Outubro do ano passado. Revelador. Para quem não tem tempo, recomendo a série televisiva apresentada pelo próprio para o Channel4.

Guns, Germs and Steel

I just started reading this book some days ago, but definitely is one of the best science books I’ve read so far. Highly recommended. Guns, Germs and Steel: A short history of everybody for the last 13,000 years.

Life isn’t fair–here’s why: Since 1500, Europeans have, for better and worse, called the tune that the world has danced to. In Guns, Germs, and Steel, Jared Diamond explains the reasons why things worked out that way. It is an elemental question, and Diamond is certainly not the first to ask it. However, he performs a singular service by relying on scientific fact rather than specious theories of European genetic superiority. Diamond, a professor of physiology at UCLA, suggests that the geography of Eurasia was best suited to farming, the domestication of animals and the free flow of information. The more populous cultures that developed as a result had more complex forms of government and communication–and increased resistance to disease. Finally, fragmented Europe harnessed the power of competitive innovation in ways that China did not. (For example, the Europeans used the Chinese invention of gunpowder to create guns and subjugate the New World.) Diamond’s book is complex and a bit overwhelming. But the thesis he methodically puts forth–examining the “positive feedback loop” of farming, then domestication, then population density, then innovation, and on and on–makes sense. Written without bias, Guns, Germs, and Steel is good global history.

Livros para o mês

Com o Natal a aproximar-se e com o tempo frio a influenciar hábitos caseiros (sim, porque leio sobretudo em casa) decido presentear a mim mesmo dois livros, relacionados com história, tema esse que tem andado afastado das minhas leituras. Sendo assim, os galardoados foram:

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“Ir prò Maneta”, do Vasco Pulido Valente, sobre a Revolta contra os Franceses em 1808. O período conturbado que começou com as Invasões Napoleónicas, fuga da família real para o Brasil e o posterior domínio inglês do país foi um assunto que sempre me fascinou e o que é certo é que existe pouca literatura por aí. E esta falta de memória, já foi explicada pelo própria VPV no Público:

“… fraca memória sobre o periodo das invasões napoleónicas advém da “subordinação cultural de Portugal á França” porque ainda vivemos o mito (e muito porque vivemos numa república que copiou a matriz da Republica Francesa) da França como “libertadora da Humanidade” o que dificilmente teria correspondência real com o que as tropas napoleónicas por cá fizeram.”

Conhecendo a escrita acutilante e realista de VPV, vai ser uma leitura divertida.

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O segundo é a obra “História Virtual” de Niall Ferguson, uma interessante análise de factos que poderiam ter ocorrido e não ocorreram, mas com fundamentos rigorosos e científicos. Uns dirão que será pura expeculação, eu darei a minha opinião depois de ler o livro. Fica aqui a sinopse:

E se a revolução Americana não tivesse acontecido? E se a Inglaterra se tivesse mantido fora da Primeira Guerra Mundial?… Questões como estas têm sido intensamente exploradas na ficção cientifica literária e cinematográfica. Menos frequente é verem-se analisadas numa perspectiva mais fundamentada, rigorosa e cientifica. Em “História Virtual” é isso que se passa.

Argento-vivo



Argento-vivo, originally uploaded by Frederico Marques.

Quicksilver traduzido para português. Descobri o livro ontem numa livraria perto de casa. Edição da Tinta da China. Ainda tenho os dois primeiros volumes da edição original do Ciclo Barroco para ler. Shame on me.

Leituras, II

Prometo a mim mesmo mas nunca cumpro. Só ler um novo livro quando se acaba o outro. Até estar a meio de um, fechá-lo, colocar o marcador e no outro dia ter outro por cima, na mesita do costume e prometer a mim mesmo que…

Leituras, I

É tão recorrente que até enfada. Entrar numa livraria e perceber que nunca haverá tempo para ler todos os livros do mundo. Mesmo os que não interessam.