O regime acabou

Cheira a podre. O regime acabou:

Depois das detenções de Ricardo Salgado e de José Sócrates, que puseram em cheque o sistema financeiro e o sistema político português (a ordem é arbitrária), seja qual for o rumo que os processos venham a tomar – e não se antevê que seja particularmente auspicioso para nenhum dos dois – o regime precisará de forças hercúleas para se salvar, ou ciclópicas, como dizia outra nossa personagem histórica de fim de regime, por sinal também ela transportada de carro no seu momento final. Se o PS e o PSD não perceberem este momento e não se entenderem rapidamente, não ficarão por cá muito tempo para verem o que lhe sucederá.

Rui Albuquerque, Blasfémias.

Let the banks fail

A simple truth that everyone should understand.

As everybody knows now, we did not pump public money into the failed banks. We treated them like private companies that went bankrupt, and we let them fail. Some people say we did it because we didn’t have any other option, there is clearly something in that argument, but it does not change the fact that it turned out to be a wise move or whatever reason. Whereas in many other countries, the prevailing orthodoxy is you pump public money into banks and you make taxpayers responsible for the banks in the long run, and somehow treat the banks as if they are holier institutions in the economy than manufacturing companies, commercial companies, IT companies, or whatever. And I have never really understood the argument: why a private bank or financial fund is somehow holier for the well being and future of the economy than the industrial sector, the IT sector, the creative sector, or the manufacturing sector.

Read more (interview with Ólafur Ragnar Grímsson, Iceland’s President).

É tudo nosso

O ex-Presidente da República, Mário Soares, foi apanhado em excesso de velocidade num carro em nome da Direcção-Geral do Tesouro e Finanças. O Estado é que vai pagar, terá dito Mário Soares ao GNR.

Num país normal, isto seria um escândalo, mas parece que há gente que se sente dona do país. Palavras para quê? Deve ser da selecção natural.

Se há muito desemprego – cada vez mais -, se as pessoas morrem por falta de cuidados de saúde ou mesmo à fome, os dirigentes neoliberais encolhem os ombros e pensam, para eles: “Pois que morram, é a seleção natural…”

Grande senador. Haja paciência para mais uma múmia do regime.

E quem nos salva deste gajo?


Aqui mostro a evolução da capacidade/necessidade de financiamento dos particulares e da administração pública. A soma das duas representa a necessidade ou capacidade do país em termos de recurso a financiamento externo. É notório que os particulares já fizeram o seu ajustamento. Desde o final de 2009 que revelam capacidade de financiamento. Já a administração pública aumentou a sua necessidade de financimento, agravando-se de forma notória nos últimos dois anos. Podemos concluir que o défice externo actual se deve essencialmente à forma irresponsável como as contas públicas têm sido geridas nos últimos anos.

Necessidades de financiamento da economia portuguesa, via Capital Humano.

Sempre os números

Via A Origem das Espécies:

Os ressentidos e sapos com óculos que andaram a fazer contas durante toda esta semana acerca de como Cavaco ganhou mas não ganhou, ainda não comentaram o dado essencial: há «1,25 milhões de portugueses de eleitores-fantasma no País»: «São falecidos que ainda não foram eliminados nas listas das freguesias ou emigrantes que mantêm o local de voto em Portugal apesar de se encontrarem no estrangeiro.» A contabilidade do embuste praticado pelo Ministério da Administração Interna foi desmascarada tendo em conta os número do próprio INE. Parece, assim, que a abstenção passou para 46%. É o hábito de falsificar estatísticas.

Fábrica de desemprego

Leitura do dia:

II. O sindicalismo português, representado pela GCTP e pela UGT, está perdido no tempo. A CGTP e a UGT são forças reaccionárias que impedem a adaptação de Portugal ao século XXI. Um exemplo: se os trabalhadores da Auto-Europa tivessem seguido as indicações dos sindicatos, a empresa já não estava cá. Felizmente, a comissão de trabalhadores da Auto-Europa negociou regras de flexibilidade que aumentaram a produtividade da empresa. Resultado: para o ano, os trabalhadores da Auto-Europa vão ter um aumento de 4%. Se os sindicatos tivessem impedido as mudanças “neoliberais” na Auto-Europa, os milhares de trabalhadores da fábrica estariam agora na rua a protestar contra o “neoliberalismo”. A UGT e a CGTP são fábrica de desemprego.

A CGTP é uma fábrica de desemprego.

Os Overheads

Leitura recomendada:

No início da década, conheci uma empresa pública que competia no seu ramo de actividade com várias empresas privadas. Nesses tempos, a líder do sector, privada, tinha uma estrutura central com cerca de 20 pessoas, directores, administrativos, secretárias e tudo o resto incluído. Na empresa pública só directores eram os mesmos 20. A situação foi muito bem descrita por um consultor que por lá passou: ‘Nunca vi tão pouca empresa para tantos overheads’.
No organigrama, descrito no seu próprio relatório anual, via-se um departamento de apoio psicológico para ajudar os trabalhadores stressados a ultrapassar os maus momentos e uma direcção de responsabilidade social. Apesar da simplicidade operativa própria do sector de actividade, tinham dividido as operações em três direcções independentes. Apesar de trabalharem exclusivamente no mercado nacional, tinham um responsável pelas relações internacionais. Ao todo eram duas dezenas de directores, duas dezenas de carros, duas dezenas de gabinetes em zona nobre da cidade, duas dezenas de cartões de crédito e mais uma dúzia de secretárias – modestamente, repartiam-nas.

Os Overheads

Mais vale tarde do que nunca

Fidel Castro, depois de quatro anos de reflexão, por motivo de doença, entrou na fase de «autocrítica». Há dias assumiu a responsabilidade da feroz repressão, das permanentes perseguições e prisões a que o castrismo submeteu, desde o final dos anos 60, os homossexuais cubanos. Agora, concluiu o ditador das Caraíbas que «o modelo cubano não serve nem para nós». Não serve para os cubanos, nem a «apropriação dos meios de produção pelo Estado» serviu em parte alguma, nem na URSS, nem na Europa de Leste, nem na China. Continua a servir apenas na cabeça dos dirigentes comunistas e da extrema-esquerda portuguesa que, ainda hoje, nos acenam com a intervenção do Estado na economia como solução milagreira para os nossos males. Em Cuba, os manos Castro, depois de cinquenta anos de desastre de «economia de Estado», andam a tentar privatizar fábricas e a estimular a actividade económica privada como solução para saírem da miséria; aqui ainda nos propõem como solução a «nacionalização dos sectores estratégicos da economia». Não aprenderam nada!

por Tomás Vasques.